quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O BLOG É TEU...POEMAS (7ºA)

                            Breve Permanência

Não somos feitos de pedra,
mas de vento que insiste.
Passamos pelas horas
como quem atravessa um rio
sem saber a profundidade.

Há dias em que o céu pesa
sobre os ombros cansados,
e outros em que a luz
nos encontra distraídos
e decide ficar.

Carregamos memórias
como quem guarda sementes:
algumas dormem anos,
outras florescem
ao menor sinal de chuva.

Aprendemos devagar
que quase tudo é partida —
a infância, os medos,
os rostos que já foram casa.
Mas algo permanece:
um gesto,
uma palavra dita no momento certo,
um abraço que reorganiza o mundo.

Somos feitos de tentativa,
de quedas discretas,
de coragem que nasce pequena
e cresce quando ninguém vê.

E se o tempo nos leva,
também nos ensina:
cada fim carrega
um começo invisível,
esperando ser chamado.

Gustavo Rocha


O Despertar das Cores

O inverno arruma as malas, cansado e cinzento,
Leva consigo a chuva, o frio e o vento.
Abre-se a cortina de um novo cenário,
Escrito com luz num alegre diário.

Nos campos, o verde ganha um novo tom,
O mundo parece subitamente bom.
As flores despertam de um sono profundo,
Pintando de rosa e amarelo o mundo.

As andorinhas chegam em voos de cetim,
Construindo ninhos no nosso jardim.
Ouve-se o zumbido da abelha atarefada,
Que voa de pétala em pétala, animada.

O sol já aquece, mas sem castigar,
Convida a miúdos e graúdos a brincar.
Os dias são longos, cheios de luz,
A Natureza inteira agora reluz.

É tempo de vida, de brilho e de flor,
A Primavera chega com todo o seu esplendor.
Tudo renasce, tudo volta a cantar,
Nesta estação que nos faz sonhar.

Matilde Marques

Noventa Minutos

A bola descansa no meio do campo,
redonda como promessa.
O apito corta o silêncio
e o mundo começa.

Chuteiras riscam a relva,
corações batem velozes,
cada passe é um plano secreto
gritado em muitas vozes.

A claque vira onda,
sobe, desce, faz tremer.
Um drible nasce improvável,
faz toda a multidão prender
o ar.

O guarda-redes voa no canto,
quase toca o impossível.
Mas a bola encontra a baliza
e o golo é possível.

Não são só noventa minutos,
é coragem, união e paixão.
Porque futebol é mais que um jogo,
é sonho rolando no chão. 

Guilherme Pimenta

                                             Entre o Silêncio e o Vento

Há um instante no ar
onde o tempo para de correr.
As folhas falam com o vento
numa língua que é só viver.

Dentro de mim há silêncio,
mas não é solidão:
é chama que arde devagar
e ilumina o coração.

Diego Caires

O Som do Mar


Ouvindo o som do mar

A bater nas rochas

Parece que as ondas

Vêm contra mim


O som do mar

Faz-me arrepios

E fico logo com frio


As gaivotas a voar

Por cima do mar

Quando apanham um peixe

Ficam logo contentes


Os corais no fundo do mar

Dão-lhe um brio espetacular

Só me apetece ficar o dia todo

A observar…


Nos seus esconderijos

Os peixes ficam a descansar

Quando de lá saem

Nada os faz parar!

Isabela Trindade


Admiração Aranha

Entre prédios altos de frio betão,                                                                                                 balança firme contra o vento incerto.
Não traz riquezas nem glória na mão,
apenas um dever que carrega desperto.

Cai como qualquer um de nós cairia,
sente o peso duro da realidade.
Mas ergue-se sempre, dia após dia,
guiado por um forte sentido de responsabilidade.

Não é um deus distante nas alturas,
é um rapaz comum, cheio de falhas.
Tem dúvidas, medos e noites escuras

( mas enfrenta o perigo nas ruas e muralhas)

No meio da luta solta uma piada,
como quem desafia a própria dor.
E em cada teia lançada ao nada
vai preso um gesto de esperança e valor.

Gosto dele porque mostra, no fundo,
que herói não é quem nunca cai.
É quem escolhe fazer melhor o mundo,
mesmo quando tudo parece desabar demais.

José Pedro Morgado


Sonho

No silêncio da noite calma,
brilha um sonho no coração,
feito estrela que não se apaga,
feito luz na escuridão.

Pequeno verso, grande esperança,
que nasce simples e nunca cansa. 

Théo Rebello

O Céu ao Final da Tarde

O céu pinta-se de laranja,
como um quadro a brilhar.                                                                                             sol desce devagarinho,
como se tivesse medo de acabar.

As nuvens parecem algodão,
a flutuar sem direção.
O vento sopra baixinho,
faz cócegas no meu coração.

As árvores ficam em silêncio,
a ouvir os sons da cidade.
Os pássaros voam para casa,
procurando tranquilidade.

E eu fico a olhar o horizonte,
a pensar no que virá depois.
O dia acaba em silêncio,
mas amanhã começa outra vez para nós.

David Cardoso


No Recreio depois da Chuva

Hoje o céu estava cinzento,
mas não era um cinzento feio,
era tipo quando a professora apaga a luz
e fica tudo em silêncio primeiro.

A chuva caiu devagarinho,
batendo nas janelas da sala,
e eu fiquei a olhar lá para fora
em vez de acabar a ficha de Matemática.

As gotas pareciam correr corrida
umas contra as outras no vidro,
como se fosse campeonato da escola
mas versão microscópica e molhada.

Depois, no recreio,
o chão cheirava a terra lavada
e as poças eram pequenos espelhos
onde o céu se olhava admirado.

Eu quase pisei uma,
mas fiquei só a ver as ondas
a crescerem em círculos perfeitos,
como se alguém tivesse desenhado com compasso.

Às vezes acho que a chuva
não serve só para molhar.
Serve para abrandar o mundo
e dar desculpa para a gente reparar.

E foi assim que, num dia normal,
entre contas e verbos para conjugar,
eu descobri que até uma poça de água
tem histórias para contar.

Rodrigo Silva



Carol e o Caracol

Uma vez uma menina chamada Carol

Fez amizade com um caracol

No parque verde foi
junto aos arbustos vi-o
vi-o o subir uma parede

Carol e o caracol
passearam pelo parque
num dia de Sol

Devagar, logo ao acordar 
iam os dois passear
passearam todos os dias,
mas no em dias de sol,
caracol procurava os seus 
amigos quando havia
raios de sol

Maria Eduarda

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Cúmplices de uma vida

    Simplesmente Luke!

    Tens como nome de registo Luke das Águas do Mondego, mas naquele primeiro contacto decidi, e ninguém sabe porquê, que serias Luke Stumpins!

    Corria o ano de 2017 quando os meus pais decidiram aumentar a nossa “família” com mais um elemento! Sim, família claro, e tu sabes bem disso, és parte de nós...

    Eles deixaram que fosse eu a escolher um entre sete ou oito que faziam parte da ninhada. Ainda hoje acho que foste tu que me escolheste, mas gosto de dizer que fui eu quem te escolhi!!

    Eras um cachorrinho de apenas 2 meses, uma bola de pelo, mas os teus traços não deixavam margem para dúvidas, irias ser mais um belo exemplar de uma raça denominada potencialmente perigosa – pelo preto, umas manchas afogueadas, olhos amendoados e uns prometidos 50kg de puro músculo que virias a alcançar em adulto – um Rottweiller.

    Tu ficaste-te pelo potencialmente, porque de perigoso, para nós claro, desculpa que te diga, mas não tens mesmo nada.

   Em cachorro além das brincadeiras, passava a vida a pegar-te ao colo, agora é mais complicado, podemos é trocar de papéis – se calhar vou pedir aos meus pais uma sela a ver se a coisa funciona!

       Estás sempre a implorar por mimo, por mais uma festa, por uma brincadeira, uma corrida atrás de uma bola para ajudar a desgastar a tua energia sem fim. Brincamos imensas vezes com uma bolinha que anda la por casa, que as vezes desaparece, mas que tu voltas sempre a encontrar.

    Fico impressionado com a tua astúcia, como consegues perceber que comigo podes ser um pouco mais traquina nas brincadeiras, podes por as tuas patorras nas minhas pernas quando estou sentado, mas quando a interação é com a minha irmã Matilde, que tem limitações motoras, mudas completamente o teu comportamento, ficas muito mais calmo e pachorrento, como consegues?

    És também o nosso segurança privado! Vivemos numa zona muito calma, mas tu dás aquela dose extra de segurança e tranquilidade quando ando por casa, seja no interior ou nos jardins – o teu habitat.

    Espero que continues a ser o meu, o nosso, companheiro por muitos anos e permite- me a liberdade, mas não te babes de vaidade, de partilhar dois momentos capturados que retratam a nossa cumplicidade.

Uma imagem com relva, ar livre, cão, pessoa

Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.Uma imagem com relva, Raça de cão, ar livre, pessoa

Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.

Gustavo Stumpins

sábado, 21 de fevereiro de 2026

PEÇA DE TEATRO ULISSES

...e aqui ficam mais uns registos do excelente desempenho do elenco na representação da intemporal obra Ulisses. Muitos parabéns a todos os participantes, dinamizadores e à companhia de teatro que, de forma tão extraordinária, pôs em palco o imaginário coletivo que a obra em apreço suscita!

PEÇAS DE TEATRO - DEPARTAMENTO DE LÍNGUAS

    No dia 19 de fevereiro, realizou-se, no auditório da escola, a apresentação das peças O Príncipe Nabo (5.º ano) e Ulisses (6.º ano), previstas no PAA do Departamento de Línguas. Os alunos foram acompanhados pelos respetivos docentes, tendo-se verificado uma adesão significativa por parte das turmas envolvidas.

    A atividade decorreu de forma muito positiva, com interesse, atenção e participação ativa dos alunos. Permitiu contactar com a especificidade do texto dramático, comparar o texto escrito com o representado e consolidar as obras do PNL trabalhadas em sala de aula. Contribuiu ainda para a valorização do teatro enquanto experiência cultural e para o desenvolvimento da expressão oral, da criatividade e da capacidade de interpretação das personagens.

    Considera-se que os objetivos propostos foram plenamente alcançados, constituindo esta atividade uma experiência enriquecedora para os alunos.

Licínia Ramos

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

São Valentim - Departamento de Línguas - Trabalhos de Inglês e Francês

     Estão expostos no atro interior trabalhos de São Valentim em Inglês e em Francês para visionamento de todos.

    Felicitações aos alunos participantes e aos professores dinamizadores!

Trabalhos de Francês

Trabalhos de Inglês


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Trabalhos de Martim Vieira

    Uma das funções do Blogue da Escultor é felicitar os alunos pela excelência dos seus trabalhos e divulgá-los como forma de reconhecimento pelo empenho e dedicação demonstrados. O Blogue é dos alunos, primordialmente! E é para os alunos. 

    Assim, quer para parabenizar um trabalho de mérito, quer para que sirva de inspiração a outros tantos, confiantes que somos, das suas imensas capacidades, que difundimos com muito gosto os vídeos/trabalhos do Martim Vieira. 







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

EXPOSIÇÃO "O LEGADO DE UM CRAVO"

    A Biblioteca da Escola-Sede vai receber, de 4 a 27 de fevereiro, a exposição "O Legado de um Cravo”, inserida nas Comemorações dos 52 Anos do 25 de Abril. A exposição em apreço é composta por um conjunto de painéis que, de forma apelativa, coloca sob os holofotes todo o período histórico, desde a instauração da ditadura até à Constituição de 1976, focando vários aspetos, nomeadamente: 

  • Relembrar acontecimentos da história de Portugal durante a ditadura, nomeadamente todas as liberdades que estiveram suprimidas durante quase cinco décadas;
  • Demonstrar como 48 anos de ditadura representaram o atraso, o analfabetismo vigente, a miséria e a ausência de liberdades e direitos humanos fundamentais no país;
  • Preservar e partilhar a memória de todas e todos os que, em situações de clandestinidade e de repressão, lutaram pela defesa da liberdade - os heróis da democracia;
  • Sublinhar a importância da participação popular durante o processo revolucionário, especialmente ao nível da consolidação das mudanças e da superação das inúmeras resistências que foram encontradas pelo caminho para, finalmente, serem implementadas todas as conquistas sociais, políticas e económicas no país;
  • Sensibilizar toda a sociedade para a necessidade de estar permanentemente alerta face às ameaças à democracia, concebendo esta mesma democracia como uma prática e não como uma realidade garantida.
    Os docentes que desejem fazer uma "visita guiada" pelos painéis, com a respetiva análise, poderão fazê-lo durante o período de abertura da Biblioteca Escolar, preferencialmente em contexto de pequeno grupo de alunos (enquadrado em aulas com coadjuvação: um dos docentes fica com metade da turma e o outro docente acompanha-os à Biblioteca e vice-versa, de modo a que todos os alunos possam usufruir da exposição e compreender o seu significado).

10 MINUTOS A LER - GERAÇÃO COMPRIMIDA

 

    Eu sei que o meu espaço neste blogue é para falar sobre filhos. Hoje, permitam-me, por favor, falar sobre pais – até porque as duas coisas estão umbilicalmente ligadas.

    Em Novembro, a minha mãe caiu das escadas e partiu o braço em dois sítios diferentes. Uma das fraturas, junto ao ombro, foi particularmente feia. O tratamento cirúrgico adequado seria uma prótese total do ombro, mas, no caso concreto da minha mãe, a equipa que a acompanhou optou por um tratamento conservador. Isto implicou quatro semanas de imobilidade total que tornaram a minha mãe, pela primeira vez na vida, dependente em tarefas tão simples como o banho.

    Assim, durante mais de um mês, fui responsável pela higiene da minha mãe – sendo enfermeira, estava mais à vontade com esta tarefa -, e dividi com a minha irmã as tarefas domésticas em casa dos meus pais. E sabem uma coisa? Senti várias vezes que ia rebentar de stress e cansaço e percebi, em absoluto, a designação de geração sanduíche.

    Com três crianças permanentemente em casa – uma delas, na altura, com um mês –, e outras duas (em tempo parcial), senti-me, de repente, totalmente esmagada pela sensação de que, por mais que tentasse e por mais que me esticasse, não estava a conseguir chegar como devia nem a um lado, nem ao outro. Foram semanas em que o sentimento de insuficiência se colou a mim como uma carraça, porque, independentemente do esforço, houve sempre pontas soltas e coisas que não consegui agarrar.

    Reparem: comparativamente à maioria das pessoas, eu ainda tenho a vantagem de ser enfermeira e de cuidar, há muitos anos, de pessoas com dependência. Mas uma coisa é cuidarmos dos nossos utentes, por melhor que seja a nossa relação com eles, durante o nosso horário de trabalho. Outra, completamente diferente, é cuidarmos dos nossos pais que, na nossa cabeça, ainda são quem cuida de nós. A situação da minha mãe foi temporária, é certo, mas destapou uma fragilidade para a qual eu não estava preparada.

    Uma noite, estava eu a adormecer os mais velhos, o meu pai ligou-me. A minha mãe estava desesperada com dores e ele achava que o imobilizador estava mal colocado. Pedi-lhe que esperasse uns minutos e prometi que correria para casa deles mal os miúdos adormecessem. Assim foi. Mas, quando o meu pai me abriu a porta, senti um baque no coração. Porque, pela primeira vez, ele pareceu-me, de facto, ter os quase oitenta anos que lhe marca o cartão de cidadão. E vi-o mais pequeno, mais magro e, acima de tudo, mais frágil do que alguma vez o tinha visto.

    Obviamente, recoloquei o imobilizador da minha mãe, dei-lhe um analgésico e pedi-lhes que me voltassem a ligar se houvesse mais algum problema. Não fossem os miúdos, teria lá ficado a dormir (coisa que, na verdade, foi sempre o que senti que devia fazer, mas que a logística da nossa vida impossibilitou), mas tive de voltar para casa. Chorei o caminho todo, porque aquela ida nocturna à casa onde cresci fez-me perceber que os meus pais já não são a fortaleza que sempre reconheci neles. Entrámos na fase em que terei de ser eu a transformar-me em rocha – e isso dói.

    Tenho trinta e nove anos e nunca antes senti que os meus pais fossem frágeis. Mesmo quando o meu pai esteve gravemente doente nos cuidados intensivos, quando todos me diziam que era melhor despedir-me. Acreditem ou não, eu soube sempre que ele iria recuperar. Era o meu pai, eu tinha vinte anos, e era óbvio, para mim, que ele não iria deixar-me sozinha. Desta vez, no instante em que me abriu a porta, eu soube que alguma coisa tinha mudado. Como se o relógio tivesse começado a correr ao contrário e a vida me dissesse “agora é contigo!”.

    Eu sei que o meu espaço neste blogue é para falar sobre filhos. Hoje, permitam-me, por favor, falar sobre pais – até porque as duas coisas estão umbilicalmente ligadas.

    Isto de que falo não é novo. O tema tem sido estudado e a ciência fala-nos em processos de luto antecipado, de ambivalência afectiva e de conflito interno – mas quando se dá o clique, não há ciência nem teorias que nos valham. O aperto que sentimos no coração não se compadece com a certeza de que é este o ciclo natural da vida.

    E a forma como vivemos hoje torna tudo ainda mais duro. Porque, com o nosso ritmo de vida, ficamos absolutamente espremidos entre duas gerações dependentes e um emprego onde nunca podemos dar menos do que o máximo. Além disso, a sociedade, não contente, ainda nos exige que ostentemos uma vida de Instagram.

    Responsabilidades parentais ativas, responsabilidades com os nossos pais envelhecidos, trabalho, versatilidade, a casa para gerir e cuidar, conexões relacionais, gestão financeira e saúde mental. Se calhar, retiro o que disse sobre concordar com a designação de geração sanduíche. Chamem-nos antes geração compressão. Porque isto, afinal, não é só viver entre duas realidades de cuidar: é ser comprimido, diariamente, entre múltiplos papéis. E sentir que nunca conseguimos ser suficientemente bons em nenhum.


CARMEN GARCIA

Mãe de dois rapazes de 7 e 8 anos e de uma menina bebé. O mais velho é surdo profundo, com implante coclear. Enfermeira, atualmente a desempenhar funções numa empresa de tecnologia, num projeto que, integrando inteligência artificial, pretende melhorar a qualidade de vida dos idosos e empoderar os seus cuidadores.