Lançamos o desafio de conceber, em Banda Desenhada Digital, adaptações de fábulas célebres!
Fica aqui o primeiro trabalho, realizado pelo Gustavo Cerdeira, do 7ºA. Para relembrarmos todos as diferenças entre Prosa, Poesia e Prosa Poética (prosa Poética não é Texto Lírico) postamos a versão em prosa através de balões dialógicos de BD e a versão em Prosa Poética:
O lobo e a raposa
Quando tudo era falante,
Diz que a Raposa caiu
Num poço de água abundante:
Chegou um Lobo arrogante,
Que passava acaso, e a viu.
Duma polé pendurava,
Porque o poço era profundo,
Uma corda, a qual atava
Dois baldes: um no alto estava,
Noutro a Raposa no fundo.
Pois a bicha, que era arteira,
Chama o Lobo, e diz: «–Senhor,
Já que eu não fui a primeira,
Socorrei vossa parceira,
Que eu sei que tendes valor.»
Ora assim sem mais porfia
O Lobo, que é fanfarrão,
Já no balde se metia:
Ele cai, ela subia
Por uma mesma invenção.
Toparam-se ao perpassar;
E o Lobo, meio caindo,
Nem lhe ousava de falar;
Ela a rir, e a rebentar
De se ver tão bem subindo.
Em fim ao medo venceu,
Fala o Lobo, e diz: «–Comadre,
Isto vos mereço eu?»
Ela, a zombar do sandeu,1
Nem lhe quis chamar Compadre.
Mas diz-lhe: Dom vagabundo,
Teus queixumes não me empecem;
Acaba já de ir-te ao fundo:
Isto são coisas do mundo,
Quando um sobe, os outros descem.»
1 - Sandeu: parvo, ingénuo, ignorante
Uma raposa, na ânsia de comer um queijinho que um lobo tinha roubado (será que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão?) elogia o "belo canto do Corvo", dizendo que não há mais belo canto em toda a floresta...
