quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

SARAU CULTURAL OU AQUILO O QUE OS OLHOS NÃO VEEM

   Manuel António Pina, jornalista, escritor e dramaturgo de mérito incontestável e incontestado, escreveu um número vasto e valioso de obras: uma delas consiste no texto dramático Aquilo que os olhos veem ou O Adamastor.

   Outro autor que dispensa apresentações, José Saramago, publicou a obra (que mais tarde foi adaptada para cinema) Ensaio sobre a Cegueira.

   A alusão a estas obras remete para a relevância do que, não sendo visto, acontece. E é sobre isso que quero falar. Teatro não é a mera exposição de algo perante uma audiência. Teatro não é um conjunto arbitrário de adereços. Teatro não é competição. Teatro não é sobre o que é desta pessoa, daquela e daqueloutra. Teatro não é burocracia, papelada, regulamentos, listagens, tópicos estanques, espartilhados inflexíveis. Teatro é dádiva, entrega, colaboração, interajuda, equidade, respeito. E é pelo profundo respeito de todo um trabalho de bastidores, de memorização de texto, de ensaios que sacrificam intervalos e tempos livres e idas aos centros de estudo, de garantia de que há um elenco que sabe não só as suas réplicas, mas todo o texto principal e conteúdo das didascálias (até para que, caso falte alguém, haja quem avance com o texto sabido e toda a dinâmica teatral memorizada).

   Esse é o meu entendimento de teatro. Teatro não é gritaria, nem desordem, nem caos. Teatro é paixão, entusiasmo, oportunidade de mostrar em palco aquilo de que se gosta tanto e que se faz tão bem, e que nem sempre se consegue mostrar... a escola tem de ser esse espaço: o espaço onde os alunos mostrem as suas aptidões fantásticas, os seus talentos, aquilo que os faz vibrar, para que essa semente possa crescer segundo os valores de se fazer aquilo que se ama e transformar esse dom numa dádiva a quem usufrui desse talento. O teatro não é um isto-agora-fica-assim. Teatro é trabalho. Consistente, persistente, tenaz. É nesse trabalho que radica o respeito por quem interpreta e por quem assiste. E o teatro não é só teatro: é texto, é música, é dança, é canção. Canção treinada até à náusea, porque é desse treino que vem o conhecimento. Esse mesmo conhecimento intrínseco às artes e que, não raro, é o parente pobre da eruditia do saber. 

   Por fim, teatro não é hipocrisia. Teatro é sermos o que fazemos e não o que dizemos. Teatro é encarnar valores e não desvirtuar meras palavras com sonoridade, mas sem referente na prática. Dizer o contrário do que se faz não funciona nem em palco, nem na vida. É ser mau ator... má atriz.

   A todos os que ontem viram no sarau o culminar de muitas horas de esforço, enpenho, dedicação e tinham a serenidade de uma rede de apoio (sabendo que, se não pudessem estar presentes, estava salvaguardado quem substituiria), o meu profundo agradecimento, bem como a todo o público cuja paciência - reconheço - foi posta à prova, mas que se manteve até ao fim, brindando as atuações com um sentido aplauso. O meu profundo agradecimento ao avô das manas Portugal, que fez as delícias das crianças com uma aparição fantástica enquadrada na peça "Conversas entre Dentes". E essas também as houve... as que os olhos não viram e, felizmente, poucos ouvidos (lembremos que tímpanos não são caixotes de lixo!) ouviram.

A Professora Bibliotecária,

Sílvia Pinto


 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Dançar, Ler e Cantar na Biblioteca Escolar

 As talentosíssimas Mafalda Gouveia e Yara Mesquita, do 6A, mostraram o seu fantástico mérito e coordenação melódica no contexto do Sarau de Natal.

Que bom termos estas duas prendas de Deus!!!



terça-feira, 16 de dezembro de 2025

NATAL NA ESCULTOR

   E já estão expostos muitos dos magnificos trabalhos de Natal concebidos e realizados pelos nossos alunos!! Que deleite para os olhos e para o coração.


Trabalhos realizados na disciplina de Inglês do 2º ciclo


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

ENFEITES DE NATAL DE CORTIÇA

 ... realizados pelos nossos talentosos alunos! Parabéns a todos os que participaram nesta iniciativa (que prova que é sempre possível reutilizar um material tão precioso como a nossa cortiça).



quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

NARRATIVAS VISUAIS DE NATAL - OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA

 ...que se podem tornar em contos escritos! Escolhe um link e escreve a tua interpretação da história que cada breve vídeo transmite. Enriquece o Blog com a tua narrativa!

https://www.youtube.com/watch?v=Fs0s6ER3-YM

https://www.youtube.com/watch?v=O1C9zOQpKG4

https://www.youtube.com/watch?v=WN18kGdPHzk

https://www.youtube.com/watch?v=vb-3NdH75d0

https://www.youtube.com/watch?v=ImowkpTfAw4

https://www.youtube.com/watch?v=6TovzOXeh24

https://www.youtube.com/watch?v=TzJCHCr8oSg

https://www.youtube.com/watch?v=YH2_NUKAZE0


7.ºD - Celebração de Natal

      No enquadramento do projeto Saúde Oral na Biblioteca Escolar e tendo presente a celebração da época natalícia, os alunos da turma do 7.ºD, bem como os seus Encarregados de Educação, foram convidados a participar numa iniciativa da equipa da biblioteca escolar para não deixar uma data tão relevante passar em branco, sendo o branco também uma das cores do natal, sobretudo na sua simbologia de Paz.

    No início, os alunos do 7.ºA, assim como os convidados, (marcaram também presença as professoras Ondina Noronha e Edite Duarte, que fizeram questão de trazer os seus alunos para assistir a esta atividade) viram dois vídeos alusivos à época natalícia. O primeiro vídeo consistiu na história do senhor Luís e da sua esposa Lilly e aborda o tema da solidão das pessoas mais idosas, durante todo o ano, mas principalmente nesta época festiva. O visionamento do filme foi acompanhado da leitura expressiva do conto " O Milagre de Natal".

https://www.youtube.com/watch?v=YvAqSEGng5A

    De seguida, os alunos Rodrigo, Martim, Afonso, Carolina, Cecília e Carolina Lima leram poemas de Natal oriundos da obra O Pai Natal Quer Ser Poeta...., da autoria de Isabel Lamas e Gil Martins (disponível na biblioteca escolar).  Foram também lidos os poemas "Paz , Amor, Natal" e "O Natal Dos Jovens Com Experiência".

    O aluno Martim leio também o conto "A Máquina Dos Brinquedos Avariou", da autoria da professora bibliotecária. A narrativa culmina com um momento de muita alegria e esse entusiasmo manteve-se durante a exibição do filme "O Natal Do Dente Vitinho". Ainda no contexto da importância da Saúde Oral e com o objetivo de sensibilizar para um esforça da escovagem nesta época de doces tradicionais, todos os alunos cantaram os temas "Eu Quero Ter Os Dentes Fortes" e "Eu Não Tenho Medo De Ir Ao Dentista" temas do projeto SOBE e incluídos no projeto da Elgydium "Se A Minha Escova Cantasse".

    Por fim, todos cantamos o tema "A Todos Um Bom Natal", ficando a promessa de uma nova atividade, em parceria com o SPO que tem por base o visionamento do filme "A Pequena Vendedora De Fósforos" e uma reflexão/debate sobre a empatia.

    A equipa da BE agradece a participação de todos neste momento tão pedagógico e divertido. 









segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O BLOG É TEU: A HISTÓRIA DE GIOTTO (em contexto da obra O Cavaleiro da Dinamarca)

FIGURAS HISTÓRICAS EM O CAVALEIRO DA DINAMARCA     

Durante a viagem de regresso, o Cavaleiro da Dinamarca ouve a história de Giotto, um jovem pastor que passava os dias a guardar o rebanho e a desenhar nas pedras com carvões. Apesar de ser apenas um simples rapaz de 12 anos, tinha um grande talento para observar e reproduzir a realidade através da pintura.

Um dia, o famoso e prestigiado pintor Cimabue passou pela região onde Giotto apascentava o seu rebanho e elaborava as suas pinturas e ficou impressionado com a qualidade dos desenhos de Giotto. Reconhecendo o seu talento excecional, convidou-o a ir para Florença para ser seu discípulo e torná-lo um grande pintor.
Giotto aceitou e, trabalhando na oficina de Cimabue, desenvolveu-se até se tornar um dos maiores artistas do seu tempo, superando até a obra do seu mestre!
Uma curiosidade: certamente quase toda a gente já ouviu falar da marca Giotto dos lápis de cor... Pois essa marca tão conhecida foi inspirada na história de Giotto referida no texto, pois a designação da marca foi escolhida em sua homenagem.

Giovanni Cimabue

Exemplo de pintura de Giotto



Gustavo Silva, 7ºA

CONCURSO "A ÉTICA NO DESPORTO COMO NA VIDA" - FASE 1 (10 MINUTOS A LER)

    Inicia-se presentemente a 2ª Edição do Concurso "A Ética no Desporto como na Vida", fruto da articulação entre a Biblioteca Escolar da Escola-sede e as áreas disciplinares de Educação Física e de Educação para a Cidadania. 

    Muito em breve será disponibilizado o Regulamento, mas, para já, convidamos-te a ler os seguintes textos da autoria do Professor Vítor Santos, embaixador do Plano Nacional da Ética no Desporto.

    A pausa de atividades letivas da época natalícia está já aí à porta e deixamos estes artigos como sugestões de uma leitura frutuosa durante essa fase mais serena e com maior disponibilidade de tempo.

    Boas leituras!

Desprezo pela ética e pelo fair-play

     Seja qual for o nível de prática desportiva que se considere, podemos verificar que tem grandes semelhanças com o desporto profissional, já que é necessário preparar e organizar o jogo para a competição. Os atletas são a parte mais visível destas atividades, mas existe alguém que assume o papel central em todo o processo: o treinador. Há que perceber o grande impacto que um treinador tem junto dos seus praticantes para entender que a sua valorização tem sido esquecida.

     Na sua grande maioria, os treinadores da formação dão mais valor ao facto de estabelecerem uma relação positiva com os seus atletas do que à sua promoção pessoal. Estes treinadores consideram que, mais importante do que vencer, é aquilo que os jovens aprendem na prática desportiva e o prazer que retiram da atividade. Ao terem estas convicções e os comportamentos correspondentes, a sua interação com os atletas vai pautar-se pelos valores do desporto e o seu trabalho irá contribuir para melhorar significativamente a qualidade de um ambiente desportivo saudável. 

     No entanto, muitos destes treinadores, jovens ainda, enfrentam grandes obstáculos ao tentarem atingir os objetivos a que se propõem. Na origem destes problemas estão a falta de colaboração dos pais, a interferência de dirigentes, pais e adeptos e a dificuldade em conciliar a sua atividade profissional com o tempo de treino. 

    Infelizmente, há também um outro tipo de treinadores, os que têm comportamentos desviantes e irresponsáveis. Atualmente, seja qual for o nível de competição desportiva, encontramos exemplos de comportamentos desajustados por parte dos adultos, sejam eles agentes desportivos ou espetadores. 

     É geralmente reconhecido que a forma como os adultos participam no desporto deriva da ligação que eles estabeleceram com o desporto durante a sua juventude. Não há grandes dúvidas acerca dos efeitos a longo prazo que a prática desportiva exerce sobre as crianças e jovens.

Se a cultura desportiva em que estes adultos foram formados assenta na obtenção de resultados imediatos, na hostilidade e na intimidação, eles não irão gostar do jogo. Eles não irão sequer perceber os princípios do jogo porque viveram o desporto num contexto de desprezo pela ética e pelo fair-play. Por isso assistimos demasiadas vezes a cenas lamentáveis envolvendo agentes desportivos e adeptos.

     Quando escutamos ou lemos notícias sobre certas personagens, devemos lembrar-nos de que eles são o produto do contexto em que foram gerados e que não tiveram, nem quiseram ter, a capacidade para perceber o jogo. Escolheram o caminho mais fácil.

     Ao longo do tempo, investiu-se muito pouco ou mesmo nada no comportamento. Porém, os valores do desporto não nascem de geração espontânea. Precisam de ser trabalhados desde a base e em permanência, antes, durante e depois de cada treino e de cada jogo. Não é de certeza o caminho mais fácil, mas é seguramente o mais gratificante.


A Ética, essência do desporto e da pessoa

     Sem ética, o desporto perde o seu propósito e a sua alma. A vitória deixa de ser conquista e passa a ser sobrevivência. A ética não é um acessório moral, é o que confere dignidade ao jogo e ao ser humano que o pratica.


   A ética é, e continuará a ser, o alicerce da formação da Pessoa. Falar de ética é falar de escolhas conscientes. É questionar ações e comportamentos, ponderar intenções e consequências. Não se trata de impor, mas de orientar, de despertar em cada um o sentido de dever que nos aproxima da nossa melhor versão.

    A ética é discreta: não se vê, não se mede, mas sente-se no gesto justo, na palavra equilibrada, na atitude coerente.

    No desporto, é ela que dá sentido ao jogo, à competição e ao esforço. O valor do desporto não está apenas na vitória, mas na forma como ela é alcançada. O desafio ético começa no treino e prolonga-se muito para lá das quatro linhas. Os valores trabalham-se.

     Ao longo dos anos de envolvimento com o desporto, percebo que a ética, por mais invocada que seja, continua a ser um terreno frágil. O discurso dos valores convive com a realidade dos interesses, das pressões e dos egoísmos. Há momentos em que apelar à ética parece quase irónico, tal é o contraste com o quotidiano competitivo.

     Vivemos tempos em que a busca pelo êxito imediato se sobrepõe à construção do caráter. Doping, manipulação de resultados, violência, assédio, racismo, xenofobia e negócios, que tratam o atleta como mercadoria, são sintomas de uma crise mais profunda: a perda do sentido humano do desporto. Pergunto-me, por vezes, se o desporto de hoje está mais corrompido do que o de outrora, ou apenas mais exposto.

     Talvez sempre tenha havido abusos, mas agora o erro ganha palco e amplificação. É nesse palco que a ética precisa de reafirmar a sua voz, mesmo quando parece minoritária.

   Hoje, o desporto depara-se com novos desafios éticos que vão além das práticas tradicionais: a legitimidade dos eSports enquanto modalidade desportiva, as questões ligadas à identidade de género e a participação de atletas trans. 

   O desporto, na sua organização conceptual, é, por essência, uma criação humana. Não basta o movimento do corpo – é a consciência e o sentido que o tornam verdadeiramente humano. Tal como na vida, também aqui os valores se aprendem: pelo exemplo, pelo diálogo, pela coerência entre o que se diz e o que se faz. Infelizmente, a banalização de discursos enviesados ameaça transformar o desporto num palco onde o fim justifica todos os meios. Mas valerá tudo para vencer? Quando a ganância se instala, o desporto perde a alma.

   Precisamos de uma ética que devolva dignidade ao desporto e o reconcilie com a sua vocação formativa. Precisamos que o desporto permita ao atleta crescer como pessoa, explorando todas as suas capacidades: físicas, cognitivas e humanas.

     A ética no desporto não é um acessório moral; é a substância que lhe dá sentido. É ela que protege o corpo e a saúde, que preserva a dignidade e que garante o respeito entre todos os agentes desportivos. Num tempo em que a sociedade vive ao ritmo da pressa e da aparência, é urgente reafirmar a ética como bússola. Relembrar que nem tudo o que é possível deve ser feito e que a vitória mais importante é a que não compromete a integridade.

     A ética reclama debate, reflexão e coragem. Há que divulgá-la por meio de ações de sensibilização. Porque, no fim, a verdadeira vitória não é a que sobe ao pódio – é a que nos permite olhar o outro, e a nós próprios, com dignidade.



terça-feira, 2 de dezembro de 2025

ENFEITES DE NATAL - PROJETO GREEN CORK

       O projeto Green Cork, no qual a nossa escola está inscrita, tem por objetivos principais recolher rolhas de cortiça financiar a plantação de árvores autóctones. 


Colabora:  

recolhe rolhas de cortiça, ao longo do ano, e 

faz enfeites de Natal com cortiça.

 

19 Brilliant DIY Christmas Cork Crafts Ideas | SPD UK 


As coordenadoras do Ecoescolas
    Manuela Sousa e 
    Teresa Coelho

POEMA SOBRE A PAZ - 10 MINTUOS A LER

 

PAZ, AMOR E JOVENS COM MUITA EXPERIêNCIA

 

Que a Paz seja um rio largo, que corre devagar por entre as margens do coração de todos,

Levando, com a força das águas, as pedras duras das inquietações e deixando atrás de si apenas o brilho da calma.

 

Que o amor floresça como uma árvore antiga no centro da aldeia,

cujas raízes se entrelaçam com as histórias de quem passa

e cujos ramos tocam o céu, lembrando-nos que sentir é também ascender.

 

Que o respeito pelos idosos seja um farol aceso no nevoeiro,

pois neles vive o mapa invisível do tempo,

só eles sabem as noites inquietas que enfrentam e as manhãs em que se obrigam a renascer,

e cada ruga é um poema que a vida escreveu devagar.

 

E que o Natal seja um manto de luz estendido sobre todos,

onde cada estrela é uma promessa de esperança,

cada sorriso um sussurro de ternura,

e cada abraço o renascer secreto do melhor que somos.

 

Virgílio Campos