sexta-feira, 29 de novembro de 2024

CAMÕES...PARA QUEM BASTAVA AMOR SOMENTE

 

Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente


Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís Vaz de Camões,

OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA



 Queres vir treinar os teus dotes de criador de histórias?


Na Biblioteca Escolar, tens, ao teu dispor, um jogo para desenvolveres as tuas capacidades de escrita de narrativas...mas damos-te as "pistas", ou seja, as sequências da narrativa:



A partir de uma frase, como, por exemplo:

DEVEMOS SEMPRE SUPERAR OS NOSSOS MEDOS

és convidado a criar um conto seguindo cinco etapas e selecionando cartas com imagens:




Aceitas o desafio? Aprende a jogar e a contar na Biblioteca Escolar. Há prémios para  os melhores contos!







quinta-feira, 28 de novembro de 2024

LITERACIA FINANCEIRA

        Literacia Financeira e a Educação para o Consumo permitem aos jovens a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e capacidades fundamentais para as decisões que, no presente e no futuro, tenham que tomar sobre as suas finanças pessoais, habilitando-os como consumidores, e concretamente como consumidores de produtos e serviços financeiros, a lidar com a crescente complexidade dos contextos e instrumentos financeiros. 

           Numa perspetiva mais abrangente pretende-se disponibilizar informação que sustente opções individuais de escolha mais criteriosas, contribuindo para comportamentos solidários e responsáveis do aluno enquanto consumidor, no contexto do sistema socioeconómico e cultural onde se articulam os direitos do indivíduo e as suas responsabilidades face ao desenvolvimento sustentável e ao bem comum.

                Aqui ficam alguns links para acesso a informação relevante sobre o tema:










segunda-feira, 25 de novembro de 2024

10 Mandamentos das Boas Poupanças


 

AUTO DOS CONSUMIDORES CONSUMIDOS

                                                                         


                                                                          ATO I

Cena I

(cais de embarque; Anjo, Diabo e ajudante deste último em cena)

 

Diabo (atarefado) – Vamos lá, meu ajudante!

                               Guarda tudo no porão

                               Prevejo muito ocupante

                               E o vento está de feição

                               Hoje vamos receber

                               Gente muito consumista

      Companheiro     - Mas irá a barca encher?                     

                 Diabo     - Vou dar-te já uma pista…

                                Olha bem em teu redor

                                O que vês? Consumidores!

 Por isso aprende de cor:

 Seremos seus malfeitores!

Companheiro      - No Inferno, não há consumo?

            Diabo     - Nem com sumo, nem sem sumo!

                            Serão eles consumidos

  Pelas labaredas, em fumo…

  Mas diz-me, quem aí vem?

(ouve-se a música “Money, Money, Money” dos Abba)

Cena II

(entram em cena as consumistas, carregadas de sacas)

 

        Companheiro    - É a Lili Sem Vintém!

                   Diabo    - E traz suas irmãzinhas

Aquelas só estavam bem

Quando andavam às comprinhas!

Lili - Boa tarde, vós quem sois?

Diabo – O diabo, ao seu dispor!

    Lili – Ah!...O diabo, pois, pois

(olha-o de alto a baixo)

         - Fica-vos mal essa cor!

       E essa barca, para onde vai?

                       Diabo – P’ró Shopping do Bom Sucesso!

                         Lili   - Leva-me nela, te peço….

                       Diabo – Venham todas, aqui entrai.

                       Cátia   - Temos de atravessar o rio?

                       Diabo – Um desvio nós faremos!...

                     Isabel  - (Aparte) Ai, que eu neste não me fio…

                        Diabo – Vamos p’rá Terra dos Demos

                           Lili  - Cruzes, não quero eu ir para lá

                                    Nem uma montra, uma lojita…

                      Diabo   - Vamo’embora e pouca fita!       

 (dirigem-se à barca do Anjo)

                         Lili  - O Anjo me ouvirá!

                                   Ó meu Anjo, queridinho!

                         Anjo – Que desejais?

Lili    – Deixa-me ir para o Céu!

                         Anjo – Vós estais bem? Como ousais?

                                     Gastavas todo o dinheiro

                                     Em compras, sem piedade,

 Dizendo ao teu companheiro

 Que era para a caridade!

 

(as três dirigem-se de novo à barca do Diabo)

 

        Lili – P’ró Inferno, tem de ser!...

                Isto é de perder o tino.

                Vou p’rás fogueiras arder

                Mas com um top Valentino!

Cena III

(vão para a barca do Diabo; entretanto, ouve-se um cântico gregoriano e entra um monge)

         Monge – Esta barca…vai para o Céu?

         Diabo (anuindo) -Vai para o seu… destino

         Monge – Mas o vosso não é o meu.

         Diabo – Eu com este não atino!...

         Monge –(para o público) Como vós, sou pecador

                      Perfeito, só mesmo Deus!

                      Mas rogo a Nosso Senhor

                      Que me honre com os Céus!

        

         Diabo (irritado) – Se é p’r’essa conversação

                      “Deus”, Nosso Senhor”, os “Céus”…

                      Ide àquela embarcação

                      Eu fico cá com os meus!...

        Monge – Tu também já foste um Anjo!

                      Tua vida não foi sempre esta…

                      Diz-me então: por que caíste?

        Diabo (trocista)- Devido ao peso na testa!

        Monge – Jesus! Que Deus te perdoe!

        Diabo – Ó homem, vá! Eu até ajudo!...

       Monge(para o público)-Que a todos Deus abençoe!

                     

(dirige-se para a barca do Anjo)

 

Monge – Dizei-me, Anjo de Deus

              Ireis vós para o Paraíso?

Anjo    - Meus domínios são os teus

              A ti devo meu sorriso

              Sempre em pobreza andaste     

                             Comias o que colhias

                             Colhe hoje o que semeaste:

Uma vida de humildade

Sem luxos, sem devaneios

No céu, é mesmo verdade:

Os últimos são os primeiros.

 

(entra na barca do Anjo)

Cena IV

 (chega um agente publicitário, especialista em publicidade enganosa; vem acompanhado: uma bela jovem de nome Giselle; ouve-se, como música de fundo, “Eu Gosto É do Verão” dos Fúria do Açúcar)

Agente – Ó da barca, quem está aí?

  Diabo – Agente publicitário!

Como vão os reclames?          

Sempre a enganar o otário…

Agente – O que importa é vender!

              Se compram gato por lebre

              Não sou eu quem vai perder…

Diabo    - E essa Moça, quem é ela?

Agente  - Uma amiga especial…

Diabo    - E onde arranjaste tal bem?

Agente  - Nas promoções de Natal!

Diabo    - É assim mesmo, pois, pois…

Agente  - O meu lema sempre foi:

               Leve um e pague dois!

               Com o dinheiro que ganhava

               A ambos eu sustentava…

Giselle -  Calmex! Não foi bem assim:

               Eu garanti meu sustento;

                 Sou modelo; e este,sem mim,

                 Comia pão bolorento!

                 Realmente fiz campanhas

                 P’rás promoções de Natal

                  Mas não fui nas suas manhas!

                  Foi tudo profissional….

(virando se para o agente publicitário)

                   Mentes com todos os dentes!

                   Mesmo ao próprio Belzebu!

                    Pois fica agora sabendo:

                    a mim, não me enganas tu!

                    Se te pões p´raí a armar

                    Dou-te um pontapé no….

    Diabo: (interrompe) Ora vamos a acalmar!

                    No Inferno terão tempo

                    Para as contas ajustar…     

   

    (virando-se para o agente)

Diabo     - Vá entra, lá no Inferno

               Há muito a quem enganar

Agente   - Oh! Eu não quero estorvar            

Diabo      - Não estorvas nada, então?

                Em vida, a enganar o povo

                Agora: p’ró caldeirão!             

                         Vais dar um ótimo prato

                          É só seguir o contrato…

        Agente     - O quê? Que contas as minhas…

        Diabo        - Amigo: tu é que não leste

                          Estava em letras pequeninas.

 

Cena V

 

(entra o Agente na barca do inferno; ouve-se, de seguida, um excerto de “A Vida É Feita de Pequenos Nadas” de Sérgio Godinho                        e entra o Vendedor de banha da cobra acompanhado pelo seu ajudante, a carregar produtos inúteis)

 

Vendedor (fala rapidamente) – Muito boa noite,

                 senhoras e senhores

                 Não estou aqui para enganar ninguém

                 Estou aqui apenas

                 para fazer o meu negócio…

                  Diabo(aparte)     - Onde este está não há ócio…

                                              Então, tens banha da cobra?                               Vendedor    - De cobras e de lagartos                              

                        De répteis novos e velhos…

         Diabo      - Lagartos? Não gosto muito…

                          Sou pelos Diabos Vermelhos

      Vendedor    - E então, que queres levar?

                                      Diabo   - Quero levar-te a ti!

                                                     Ora toca  d’embarcar        

                                 Vendedor   - Mas ainda nada vendi.

                                                   Vou ao Anjo apregoar…

 

                                      (dirige-se à barca do Anjo)

 

                                 Vendedor   - Senhor Anjo, ouça-me bem:

                                                   Se comprar não faz asneira: 

                                                   Tenho CD’s do Saul

                                                   Do Toy, do Tony Carreira,

                                                   E latas de Redbull

                                                    Fica com sobressalentes

                                                   Se estragar uma asa…  

          Anjo (interrompe-o)         - Não entras na minha casa!


(   dirige-se de novo à barca do Inferno)   

                    Diabo         - Faz como manda o barqueiro

                                        No Inferno, ao chegar

                                     Comprar-te-ei um isqueiro…

 

Cena VI

 

(O vendedor entra na barca do inferno; ouve-se o som de um órgão de tubos; vem um Cardeal)

 

               Diabo – Sejais bem-vindo, Eminência!

                           É uma honra, Cardeal…

            Cardeal – Pois aqui sinto-me mal

                           Que raio de barca é esta?

               Diabo – Esta é a barca infernal.

            Cardeal – Não sou peixe dessa pesca.

                           Eu sempre imitei  Cristo.

Diabo (mexendo-lhe nas vestes) – Ele não usava disto.

     E diz-me cá, ó bacano…

     Era pertença de Cristo

                                   O espólio do Vaticano?

                                      Penso que andava descalço.

                                      Ou com sandálias de tiras.

Cardeal - Tu é que já desatinas.

            A um só Deus adorei!

Diabo – É verdade. Eu bem sei!

            Adoravas o dinheiro…

             Cardeal – Calai-vos, demo barqueiro

                            E chegai-vos para lá…

               Diabo – Não era Buda ou Alá,

                           Nem Maomé, Jeová

                           Era só o dinheirinho…

            Cardeal – Deves estar mas é parvinho.

               Diabo – Parvo, eu?! Troças de mim?

             Cardeal – Por acaso sabes latim?

               Diabo – Ah pois sei, ó: embarcati!

            Cardeal – Só ando de Maserati…

               Diabo – Este aqui é mesmo ignóbil…

                      - Achava que ia pró inferno

                        A acenar no papamóbil…

(O Diabo empurra o cardeal para dentro da barca)


Cena V 

 (O cardeal entra para a barca do Inferno; ouve-se “Toca O Telefone a Toda a Hora”, de Maria José Valério; entra um operador de call center)

 

  Operador    - Boa noite, desculpe incomodar.

      Precisa de dinheiro,

     de graveto, de pilim?

   Diabo         - Este tem já que embarcar!

                                 Operador   - Há aí lugar para mim?

Sou da empresa Credifixe

Eu não minto, não perjuro

Emprestámos o dinheiro

A 100% de juro!

                                      Diabo    - E o mauzinho sou eu??

                                Operador    -  Pode pagar mais depressa

                                                     Ou pagar mais devagar…

                                                     É certo que paga o dobro

                                                    Mas só queremos ajudar…

                                      Diabo    - Com essa lábia enganosa

                                                     Nem eu te quero levar…

                                                       Mas toca lá d’embarcar!

 

 

   (canção Eu gosto é do verão – Fúria do Açúcar)

Surfista – Oi pessoal, nem sei por que estou aqui

        Veio uma onda gigante e os sentidos perdi

        Sabem se por aqui perto,

        Há uma loja de desporto?

        Se houver vou já visitar

        Na terra eu era fanático

                                  Só queria era comprar

                                  Era o fato, era a prancha

                                  Enfim, o equipamento (é interrompido)

 

Diabo – Ora aguarda só um momento

            Quanto dinheiro gastaste

            Para o surf praticar?

 

Surfista - Sei lá, eu perdi a conta

                  Era o meu pai a pagar!

 

Diabo – A viagem é de graça

            Vamos já a embarcar…

            No inferno tens fogueiras

            (Mas não são para surfar…)

 

                          Surfista -  Que pena, um fato tão caro

                                          E vai ser para queimar!

 

                                      Todos    - Este Auto, com certeza

Que tem lição de moral:

Para não entrar em demência

Não gaste com imprudência

Não faça a si próprio mal!

O Inferno não existe

Mas gastar mais do que tem

É m